26.3.18

Precisamos Falar Sobre TOC


Eu não sabia o que colocar no título desse post, até porquê, tudo o que eu vou escrever aqui talvez fique um pouco aleatório, mas vou tentar manter um contexto para o bem de quem está lendo.

[...] estávamos observando juntos o mesmo céu, o que, para mim, talvez seja mais íntimo do que contato visual. Qualquer um pode olhar para você, mas é muito raro encontrar quem veja o mesmo mundo que o seu. - Aza Holmes (Pág.16)

Tudo começou com a leitura de Tartarugas Até Lá Embaixo, de John Green. Eu já havia tentado ler dois livros do mesmo autor, A Culpa é das Estrelas e Cidades de Papel, mas, sem sucesso, abandonei as duas leituras. Porém, eu sabia que devia tentar ler seu último livro, por que me contaram que a personagem principal tinha TOC (transtorno  obsessivo-compulsivo). Apenas com base nesse fato, eu já poderia dizer que me identificava com a protagonista do livro, Aza Holmes.

"Sempre contava para a minha mãe sobre os invasores, e ela dizia: "é só não pensar nessas coisas." [...] não há escolha"

Não é Mania, é TOC

Tenho TOC a uns dois anos e a sete fui diagnosticada com TAG (transtorno de ansiedade generalizada). Então, eu poderia apenas trazer para o blog uma resenha de Tartarugas Até Lá Embaixo, mas, eu não estaria sendo sincera, eu seria influenciada pelos sentimentos que esse livro me desabrochou. Sabe quando você conhece alguém com quem se identifica e tem vontade de chama-la de amigx? Foi como eu me senti quando conheci Aza, tive vontade de abraça-la e de dizer que ia ficar tudo bem enquanto lia um de seus momentos de crise de ansiedade.

Não dá para saber a dor de outra pessoa, da mesma forma que tocar o corpo de alguém, não é o mesmo que viver naquele corpo. - Aza Holmes (Pág.165)

Antes de "desenvolver" TOC, se é que eu posso classificar dessa forma, eu achava que o transtorno era o mesmo que manias, mas não, obsessão e compulsão é massacrante. Manias geralmente não são autodestrutivas, ao contrário do TOC, onde a sua própria mente tenta exterminar o seu lado racional. Pessoas que tem transtorno compulsivo obsessivo coabitam em duas mentes, e elas discutem entre si o tempo todo. Em Tartarugas Até Lá Embaixo, Aza Holmes narra as conversas entre a sua consciência racional e a irracional, e mais, ela começa a duvidar de qual delas realmente faz parte da sua psique. E isso é algo que se transporta do livro para a realidade, eu sou Aza, sim, eu discuto o dia inteiro com a minha própria mente, duvido dos meus próprios pensamentos e isso é terrível. É assustador chegar à conclusão de que você não pode controlar a sua própria mente.

"Tudo na mesma em matéria de maluquice."
Além disso, Aza não tem que lidar apenas com os seus problemas psíquicos, ela tem uma preocupação que também pesa sobre mim, o convívio com outras pessoas. Para quem nos ama, é difícil nos ver lavando a mão, passando álcool nelas vinte ou mais vezes por dia ou nos ver perdidos em nossas espirais de pensamentos, nos angustiando [aparentemente] sem motivo. Ás vezes nos sentimos um fardo, mas não fazemos por mal, só queremos sentir certa medida de alívio.

- Você fica presa dentro da sua cabeça... que parece que realmente não consegue pensar em mais ninguém. [...] Não estou querendo dizer que é uma péssima amiga nem nada, mas você é um pouco sofrida, e isso às vezes também é doloroso para as pessoas em volta. - Daisy (Pág.135)

Se você tem TOC, a leitura desse livro pode ser um consolo, para que você saiba que muita gente entende o que você sente, afinal, Tartarugas Até Lá Embaixo é quase uma autobiografia sofrida, já que o próprio autor, John Green, tem a sua vida afetada por esse distúrbio mental desde criança.


Aza Holmes (ou John Green) conseguiu exprimir perfeitamente minha mente, minha espiral de pensamentos infinitos e autodestrutivos. Por isso, caso você não tenha TOC, leia esse livro com o intuito de entender a aflição das pessoas que convivem com o transtorno. Além disso, o livro tem uma história, não é um "auto-ajuda", é para se divertir enquanto lê, é para entrar em um mundo paralelo, porém real, com direito a drama, mistério, comédia e romance. Tartarugas Até Lá Embaixo te permite o paradoxo de rir e chorar ao mesmo tempo.

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Enfim, eu não sei se esse post é uma resenha, um desabafo ou um apelo. Sigo aqui com meu remédio para ansiedade e sentindo ansiedade, aprendendo a lidar, convivendo com meus pensamentos intrusivos e os xingando mentalmente.

 Você sabe o que é TOC? Conhece alguém que tem? Já leu ou pretende ler o livro em questão?

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Feito com ♥ por Lariz Santana